quarta-feira, 17 de junho de 2009
Gestação do capítulo 2 - Como se escreve?
Explicar o que o se espera do capítulo !!!
HISTÓRIA
O que é escrever?
Escrever é dizer por escrito, encher de letras, representar o pensamento por meio de caracteres, formar letras. (DICIONÁRIO ONLINE)
A escrita nasceu da necessidade de se arquivar os acontecimentos. Há dez mil anos o homem pré-histórico utilizava desenhos para comunicar algo que havia acontecido na tentativa de fixar aspectos do mundo fora do seu próprio cérebro. Com o passar do tempo, criou-se o sistema pictográfico a partir destes desenhos. Aos poucos o homem passou a representar no seu desenho, não mais acontecimentos, mas a própria linguagem, nascendo assim o sistema fonográfico. Isto porque havia a preocupação em registrar as histórias, transmitidas até então por meio da oralidade. Escrever, portanto foi um ato tradutório da fala para a escrita.
Entretanto, nem sempre a escrita preenche a função da fala, ela é complementar e não substitutiva. Há elementos na escrita que não são encontrados na fala, e vice-versa.
PROCESSOS DE ESCRITA
O escritor, para ter sucesso, deve esforçar-se para tornar seu texto legível e ao mesmo tempo deve preocupar-se em ser atraente, interessante e persuasivo para atingir o efeito pretendido. O escritor que visa a compreensão de suas intenções pelo leitor deverá ser informativo na medida certa, ser sincero, ser relevante e ser claro. Já o escritor que visa a um efeito perlocucionário será persuasivo e interessante ao comunicar sua mensagem, mesmo violando os demais requisitos.
Há autores que acreditam que “ser claro é fundamental para que o leitor entenda o que realmente quer dizer o autor quando escreve um texto ou um livro.” (JU), e que buscam ser claros, procurar informações sobre o tema para melhor escrever (LU). Há os que alem de clareza também impressionam o seu leitor, seja pela beleza ou outro atributo, que transmitem bem a mensagem e ainda causam um efeito neste leitor. (LU + JU)
Escrever é um processo com muitas tarefas cognitivas, envolve basicamente planejamento (anotações, escrituras e esquemas), geração de ideias e tradução destas em texto e revisão (leitura e editoração). Este processo é coordenado pelo Monitor, que prioriza as funções, gera e estabelece metas.
“Quando o escritor prepara seu texto pensa em quem será o leitor, para melhor encaminhar suas palavras e obter o seu objetivo. Entretanto, ele não acertará em 100% dos casos, sempre haverá aquele leitor que não estava na intenção do escritor ou então aquele que não tem o comportamento imaginado pelo escritor.
Ao lermos um texto entendemos o que nos é possível naquele momento, o que pode ser captado utilizando o nosso repertório atual. As experiências que temos diariamente enriquecem este repertório e assim somos capazes de ler várias vezes o mesmo texto, sendo que em cada uma das vezes teremos uma sensação diferente, afinal entre uma leitura e outra nós mudamos, e o mesmo ocorre com a interpretação daquele texto”. (LU)
Pode-se concluir que se escreve para ler e se lê para escrever. Que ambos são refinados com o tempo, tanto a leitura quanto a escrita são aperfeiçoadas conforme se pratica. (baseado no comentário da Kátia)
"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi." (Mário de Andrade – blog da LU)
SUPORTES, FORMATOS – SENTIDO DA ESCRITA
A construção do sentido de um texto escrito não depende única e exclusivamente dos autores envolvidos nas produções dos textos, mas também dos editores, tipógrafos, corretores e por fim dos leitores. Ao longo do tempo a ortografia e as regras gramaticais vêm sendo desenvolvidas e revisadas para que leitura e escrita representem a língua atual e que esta seja mais facilmente entendida.
A evolução destas regras acompanhou a dos suportes e a divulgação das produções escritas. Passamos por textos que eram lidos somente por “especialistas”, cuja impressão era feita de forma requintada, para produções mais populares, como os livros azuis, pliego suelto, pocket books, cordel, entre outros.
Hoje em dia outro fator também influencia na leitura e escrita de textos: a tecnologia. Os livros, jornais, revistas, e outros materiais impressos têm um novo concorrente: o computador. Nele todas as informações são apresentadas em sua tela.
O escritor atualmente tem a preocupação quanto a confiabilidade dos dados encontrados, já que a velocidade e disponibilidade das informações são grandes. Por um lado há facilidades quanto a agilidade, armazenamento e pesquisa e por outro há o excesso de informação, preocupação quanto a sua veracidade e a dependência de fatores externos, como eletricidade e rede.
A nova polêmica é sobre a longevidade do livro físico em relação aos novos suportes digitais, como o e-book. Esta discussão pode ser comparada a situação da televisão e do rádio. “Quando a televisão surgiu muitos pensaram que o rádio deixaria de existir, mas o que vemos hoje é uma relação amigável entre estes dois meios de comunicação. Cada um desempenha o seu papel, sem invadir o espaço do outro. Talvez o mesmo aconteça com os livros impresso e digital. É claro que o rádio teve que se adaptar a sua nova condição, afinal todos nós somos obrigados a nos adaptamos às novas tecnologias. Algo similar ocorrerá com os livros... mas extinção, não! É só uma questão de evolução!”(LU)
GERAÇÃO DE IDEIAS E PRODUÇÃO DO TEXTO: DOM, INSPIRAÇÃO, VOCAÇÃO, TRABALHO ÁRDUO, PRÁTICA OU TUDO ISSO JUNTO?
O que move a pessoa a escrever? Como se dá esta tarefa?
Alguns acreditam em dom: dádiva, talento, dote natural; em inspiração: sugestão, entusiasmo criador, insuflação divina; vocação: inclinação que se sente para alguma coisa, propensão, tendência, disposição natural do espírito, índole; outros dizem que este é um trabalho árduo: tarefa trabalhosa, arriscada, difícil e que se conquista por meio da prática: Aplicação de regras e princípios, uso, costume, maneira de proceder, rotina.
Alguns autores famosos foram incentivados por seus pais, outros não. Há escritores que dizem serem movidos pela inspiração, alguns não chegam a citar este termo, mas acreditam na existência deste fenômeno.
Raquel de Queiroz, em seus textos “Escrever” e “A inspiração não vem para todos”, ambos publicados no Estado de São Paulo em 2000 e 2003 respectivamente, a autora expõe interessantes pontos de vista sobre o ato de escrever.
Ela conta a escrita como um processo nem sempre fácil ou mágico como costumamos imaginar. Há uma construção permeada de variáveis, às vezes intangíveis, que torna tal processo um desdobramento de uma experiência penosa e dolorida desde a mais tenra idade. Segundo a autora, ao escrever as primeiras palavras muitas vezes a criança se depara com expectativas incabíveis para o momento, principalmente quando está inserida em um contexto familiar letrado ou literato.
As exigências que lhe são feitas, a fim de que contemple tais expectativas acabam, por muitas vezes criando empecilhos para o exercício daquilo que é ainda uma suposta vocação literária.
Sim, não há dúvida de que é necessário ter uma vocação literária, um dom para seguir o caminho da escrita, o que não significa que ele venha acompanhado de “inspirações divinas”.
Raquel de Queiroz tira dos escritores a “aura mediúnica” que muitas vezes lhes é atribuída e traz com delicadas palavras o humano que mora em cada palavra, frase, romance ou livro escrito.
Por fim, a autora propõe, ao invés de iluminações das musas ou do Espírito Santo, um respeito pela divina capacidade de intenção, que tão pouco se repete e tão invariavelmente se cria... (THAIS)
Interessante pensar que talvez Raquel de Queiroz fale de si mesma, quando, no primeiro texto, comenta sobre a dificuldade de apresentar os textos a pais letrados ou literatos, pois em sua biografia consta, quando jovem, ela tinha vergonha de mostrar suas produções literárias. (LU) Para ela o processo é todo penoso, lento e dolorido, chega até a faltar imaginação para desenrolar o resto da história, a tarefa requer muita dedicação, e diz que o autor "pena, padece e só então escreve". (KA)
Talvez as obras que são mais fáceis de serem elaboradas realmente pareçam inspiração, mas há outras que não germinam, ficam na estufa e o processo de amadurecimento é lento e penoso até que nascem. (KA)
João Cabral de Melo Neto é um dos escritores que não acredita em inspiração. Na concepção dele o texto ou o poema são construídos como se fossem uma casa. Uma coisa construída, planejada - de fora para dentro. Escreve por escassez, porque tem um vazio a preencher. [...] Cada tijolo, cada pintura e cada detalhe, quanta perfeição. (JU)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Trabalho FinalSUMÁRIO
INTRODUÇÃO
Especificação do que os leitores encontrarão neste trabalho, bem como os conteúdos por ele explicitados, que respondam as questões: Como se lê? e Como se escreve?
CAPÍTULO 1 – MEMÓRIAS
Neste capítulo pretendemos expor argumentos que fundamentem o quanto as histórias pessoais podem interferir no processo de leitura e escrita vivido por cada pessoa. Para tanto utilizaremos textos já produzidos por nós ou aqueles de outros autores, os quais tivemos a oportunidade de ler durante o semestre.
- Memórias pessoais das integrantes do grupo
- Memórias João Ubaldo
- Memórias Graciliano
CAPÍTULO 2 – COMO SE ESCREVE?
A proposta deste capítulo é apresentar os conceitos e estratégias de escrita, baseados nos relatos de autores previamente selecionados para abordar o assunto e dos integrantes do grupo. Para isto utilizaremos os seguintes temas/materiais:
- O que é escrever – Raquel de Queiroz
- O que é escrever – João Cabral
- O que é escrever – Poe
- Leitura e escrita, segundo Susan Sontag
- Depoimentos do livro Como Escrevo?
- Livros lidos pelos integrantes do grupo
- Polêmica entre Inspiração e Dom
- Textos escritos pelos integrantes sobre as estratégias de escrita
- Seminário 1: "A natureza da escrita: a criação do alfabeto fonético"
- Seminário 4: O que fazemos quando escrevemos?
- Seminário 5: Os suportes materiais e sua participação na construção do sentido.
- Seminário 6: “A evolução do texto: do manuscrito ao digital”
CAPÍTULO 3 – COMO SE LÊ?
Neste capítulo encontraremos os diferentes relatos e estratégias sobre leitura, também baseados em relatos de autores previamente selecionados para abordar o assunto e dos integrantes do grupo. Os temas/materiais utilizados serão:
- Memórias de João Ubaldo
- Memórias de Graciliano Ramos
- Leitura e escrita, segundo Susan Sontag
- Livros lidos pelos integrantes do grupo
- Textos escritos pelos integrantes sobre as estratégias de leitura
- Seminário 2: "História da leitura no ocidente: da leitura em voz alta à leitura silenciosa"
- Seminário 3: O que fazemos quando lemos?
CONCLUSÃO
Os pontos a serem abordados:
- Polêmica entre Inspiração e Dom;
- Processos de leitura e escrita,
- Como a história pessoal pode contribuir para a construção destes processos.
REFERÊNCIAS
DISTRIBUIÇÃO DAS TAREFAS
- Introdução: Juliana F.
- Capítulo 1: Thais
- Capítulo 2: Luciana
- Capítulo 3: Kátia
- Conclusão: Grupo
- Referências: Luciana
Para a próxima semana cada integrante do grupo fará uma primeira versão do capítulo pré determinado para avaliação do grupo e da Professora Dra. Márcia V. Fortunato.
domingo, 31 de maio de 2009
Palavras... Nenhum a menos
Memórias
Nunca fui muito boa com as palavras. Quando era pequena, ler era um sacrifício... escrever então, nem pensar! Lembro de fazer desenhos na minha lousinha, que ficava bem na entrada de casa.
Esses desenhos sempre tinham uma dedicatória, ora para meu pai, ora para minha mãe ou então para minha irmã. Gramática
Palavra Cantada - Composição: Sandra Peres e Luiz TatitDesafio
- Escrever é praticar, com especial intensidade e atenção, a arte de ler.
- Reescreve quantas vezes forem necessarias para que fique algo que você suporte reler
- Você é o seu próprio primeiro leitor
- Escritores são profissionais da insatisfação
- Escrever é um desafio: um mergulho num lago gelado, depois vem a parte quente: editar, aperfeiçoar
- Continuar remando sem esperar pelo sopro da inspiração
- O amor pela leitura é o que faz você sonhar com tornar-se escritor
Susan faz o que gosta, mesmo sendo um processo que requer dedicação e muita crítica. Não tem preconceitos com a leitura de outros autores, muito menos medo de ser influenciada, demonstra segurança naquilo que faz. Talvez seja esta segurança que a impulsione a escrever (e reler tantas vezes forem necessárias até ficar satisfeita com seu trabalho).
Acredito agora ser o desafio o que move o escritor e não a inspiração!
Imagem: picasaweb.google.com
O vazio de João Cabral
Ao ler a entrevista de João Cabral me lembrei de Poe... eles tem a mesma ideia sobre a escrita: planejamento bem feito, trabalho árduo e nada de inspiração. Achei interessante ele dizer que escreve por escassez de ser, para preencher um vazio. Espero que depois de tantas obras, tantos versos ele tenha conseguido se completar!Imagem: http://en.easyart.com/art-prints/Pablo-Picasso/Two-Girls-Reading-164364.html
Extinção dos livros impressos? (Seminário 6)
Seminário 6: “A evolução do texto: do manuscrito ao digital”Quando a televisão surgiu muitos pensaram que o rádio deixaria de existir, mas o que vemos hoje é uma relação amigável entre estes dois meios de comunicação. Cada um desempenha o seu papel, sem invadir o espaço do outro. Creio que o mesmo acontecerá com os livros impresso e digital.
É claro que o rádio teve que se adaptar a sua nova condição, afinal todos nós somos obrigados a nos adaptamos às novas tecnologias. Algo similar ocorrerá com os livros... mas extinção, não! É só uma questão de evolução!
Pliego suelto x Cordel (Seminário 5)
Seminário 5: Os suportes materiais e sua participação na construção do sentido. Durante a exposição do 5º grupo, fomos apresentados ao pliego suelto, material que surgiu na Espanha durante o século XVII, um texto impresso em folha dobrada duas vezes, formando 4 páginas.
Isto nos fez lembrar do Cordel, um tipo de poesia popular, originalmente oral, que depois passa a ser impressa em folhetos rústicos e expostos para venda pendurados em cordas (ou cordéis como eram chamados em Portugal). No Nordeste do Brasil os cordéis são escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras. Os autores, ou cordelistas, recitam os versos contidos no material impresso de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, para conquistar os possíveis compradores.Como os brasileiros são criativos !
FONTES:
Imagens: http://www.lu3.com.br/ e http://www.portalibahia.com.br/
Sobre o Cordel: http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_de_cordel
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4xuzg51HzzQ
Ser claro ou impressionar o leitor? (Seminário 4)

Quando escrevo algo não fico preocupada em impressionar o leitor, penso somente em como fazer com que a minha mensagem seja entendida, da forma como a imaginei. Para isso, busco ser clara, procuro informações sobre o tema para melhor escrever o que me proponho, mas se eu conseguir impressioná-lo... melhor ainda! Significa que além de transmitir bem a mensagem, ainda causei um efeito neste leitor, pude tocá-lo! Ai, ai o "efeito perlocucionário"!
É sensacional!
Imagem: http://aletp.com/images/blog/2008/04/porta-caneta.jpg
O que acontece quando leio para aprender? (Seminário 3)
Como leio um texto para aprender? Depende do texto, do assunto, do autor, da importância... mas em geral leio com um marca texto na mão... assim marco as partes mais importantes.

Normalmente estou sozinha, em silêncio, prestando muita atenção. Se a leitura está complicada, mudo a forma de sentar ou até de lugar. Se é simples, sou capaz de ler no ônibus, ouvindo música, com muita gente em volta, como se o balanço do ônibus e o som da música embalassem o ritmo da leitura... o único problema é que a marcação do texto fica toda torta!
Entretanto, se apesar de tudo isso ainda não entendo o que estou lendo é preciso pedir ajuda, sempre há alguém que posso contar... seja um colega ou o professor. O importante é ler e entender a mensagem!
Imagem retirada de:
http://cache03.stormap.sapo.pt/fotostore01/fotos//55/12/46/1929407_Da6Tw.jpeg
Leitura em voz alta x silenciosa (Seminário 2)
Sempre inicio a leitura de forma silenciosa, entretanto quando tenho alguma dificuldade de entendimento, somente a leitura em voz alta me permite a compreensão do que o escritor nos está propondo com sua escrita. É como se as palavras ganhassem força e chegasem ao meu cérebro com maior facilidade. Não sei explicar, mas as palavras fazem mais sentido quando as ouço, como se neste instante fossem traduzidas em ideias... ideias que só depois disso fazem algum sentido.Imagem retirada de:
http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/arquivos/Image/conteudos/imagens/portugues/vento.jpg
Toda escrita depende da generosidade do leitor (Seminário 1)
Quando o escritor prepara seu texto pensa em quem será o leitor, para melhor encaminhar suas palavras e obter o seu objetivo. Entretanto, ele não acertará em 100% dos casos, sempre haverá aquele leitor que não estava na intenção do escritor ou então aquele que não tem o comportamento imaginado pelo escritor.
Ao lermos um texto entendemos o que nos é possível naquele momento, o que pode ser captado utilizando o nosso repertório atual. As experiências que temos diariamente enriquecem este repertório e assim somos capazes de ler várias vezes o mesmo texto, sendo que em cada uma das vezes teremos uma sensação diferente, afinal entre uma leitura e outra nós mudamos, e o mesmo ocorre com a interpretação daquele texto.domingo, 24 de maio de 2009
Leitura - Graciliano Ramos
Ao ler o texto "Leitura", que faz parte do livro de Graciliano Ramos chamado Infância, fiquei um pouco chocada com a forma que seu pai o tratava. A forma como foi apresentado ao mundo da leitura e escrita é algo desolador. Busquei a biografia do escritor para entender melhor sua relação familiar e encontrei as seguintes informações: "nasceu no final do século XIX e viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das surras que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência. Em seu livro autobiográfico 'Infância', assim se referia a seus pais: 'Um homem sério, de testa larga (...), dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza (...), olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura'."NOGUEIRA JR., Arnaldo. Releituras. Disponível em: <http://www.releituras.com/graciramos_bio.asp>. Acesso em: 24 maio 2009.
Memórias de Livros - João Ubaldo Ribeiro: Melhores momentos
Melhores momentos do texto:
"Não sei bem dizer como aprendi a ler. A circulação entre os livros era livre (tinha que ser, pensando bem, porque eles estavam pela casa toda, inclusive na cozinha e no banheiro), de maneira que eu convivia com eles todas as horas do dia, a ponto de passar tempos enormes com um deles aberto no colo, fingindo que estava lendo e, na verdade, se não me trai a vã memória, de certa forma lendo, porque quando havia figuras, eu inventava as histórias que elas ilustravam e, ao olhar para as letras, tinha a sensação de que entendia nelas o que inventara."
"(...) de repente o mundo mudou e aquelas paredes cobertas de livros começaram a se tornar vivas, freqüentadas por um número estonteante de maravilhas, escritas de todos os jeitos e capazes de me transportar a todos os cantos do mundo e a todos os tipos de vida possíveis. Um pouco febril às vezes, chegava a ler dois ou três livros num só dia, sem querer dormir e sem querer comer porque não me deixavam ler à mesa -- e, pela primeira vez em muitas, minha mãe disse a meu pai que eu estava maluco, preocupação que até hoje volta e meia ela manifesta.
-- Seu filho está doido -- disse ela, de noite, na varanda, sem saber que eu estava escutando. -- Ele não larga os livros. Hoje ele estava abrindo os livros daquela estante que vai cair para cheirar.-- Que é que tem isso? É normal, eu também cheiro muito os livros daquela estante. São livros velhos, alguns têm um cheiro ótimo.
-- Ontem ele passou a tarde inteira lendo um dicionário.
-- Normalíssimo. Eu também leio dicionários, distrai muito. Que dicionário ele estava lendo?
-- O Lello.
-- Ah, isso é que não pode. Ele tem que ler o Laudelino Freire, que é muito melhor. Eu vou ter uma conversa com esse rapaz, ele não entende nada de dicionários. Ele está cheirando os livros certos, mas lendo o dicionário errado, precisa de orientação."
"Depois de cada leitura, meu pai fazia sua palestra de rotina sobre nossa ignorância e, andando para cima e para baixo de pijama na varanda, dava uma aula grandiloqüente sobre o assunto da leitura, ou sobre o autor do texto, aula esta a que os vizinhos muitas vezes vinham assistir. "
"Fico pensando nisso e me pergunto: não estou imaginando coisas, tudo isso poderia ter realmente acontecido? Acho que sim, também joguei bola, tomei banho nu no rio, subi em árvores e acreditei em Papai Noel. Os livros eram uma brincadeira como outra qualquer, embora certamente a melhor de todas. Quando tenho saudades da infância, as saudades são daquele universo que nunca volta, dos meus olhos de criança vendo tanto que entonteciam, dos cheiros dos livros velhos, da navegação infinita pela palavra, de meu pai, de meus avós, do velho casarão mágico de Aracaju."
Referência:
RIBEIRO, João Ubaldo. Um brasileiro em Berlim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p.137
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O Corvo
O que me chamou mais atenção no poema, não foi exatamente o poema, mas a forma como o autor o planejou minuciosamente. Achei absurdamente fantástico que ele tivesse uma razão e uma estratégia para cada movimento de seu lápis. Começar pelo final para mim não foi limitar a história, mas estabelecer o local exato onde quis chegar. Isto me fez pensar que esta é uma boa estratégia para os nossos objetivos na vida... saber onde se quer chegar para planejar e analisar passo a passo.terça-feira, 21 de abril de 2009
Simplicidade
Recebi nesta semana um e-mail com uma matéria da Revista Nova Escola deste mês e fiquei muito sensibilizada com a história. O fato de um gesto tão simples, como distribuir livros nos semáforos da cidade e eles terem sido tão bem aceitos, me fez pensar em como a vida pode ser simples e o quanto nós a complicamos. Meu pensamento voou e lembrei de um senhor que sempre via ao passar pela Avenida Pedroso de Moraes, morador do canteiro que fica entre as duas pistas desta larga avenida. Sempre me perguntava o que ele tanto escrevia? A qualquer instante que se passasse por ali, lá estava ele, com sua "casa" arrumada, sentadinho, escrevendo. Um dia, era páscoa, minha irmã parou e lhe ofereceu chocolate. Muito educado, aceitou o chocolate e não deixou que ela saísse sem um presente. Foi aí que descobrimos... ele era poeta e retribuiu o chocolate com uma poesia e um sorriso. A poesia se perdeu numa das gavetas, mas, o mais importante, a lembrança do gesto, ficou guardada na memória. Algum tempo depois descobri que sua história estava na internet, pois outras pessoas também se interessaram pela simplicidade do Sr. Raimundo.http://www.ecofuturo.org.br/comunicacao/publicacoes/raimundo_poeta
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Isabel Allende em Como Escrevo?
Sobre a escritora:Isabel Allende Llona, nasceu em Lima, Peru em 2 de Agosto de 1942, mas costuma dizer que é chilena, por formação e convicção. É jornalista e escritora, atualmente vive nos Estados Unidos. Segundo dados fornecidos pelas editoras, é a escritora latino-americana mais lida do mundo. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973). Seus primeiros romances "A casa dos espíritos" (1982) e "De amor e de sombra" (1984) foram bem recebidos pela crítica e posteriomente adaptados ao cinema (1993/1994). Neles, as crônicas familiares são misturadas à política chilena. Em 1995 lança o livro Paula, que a autora escreve para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Isabel Allende resolve contar a sua história para auxiliar a sua filha a lembrar dos fatos, caso ela ficasse problemas de memória ao voltar do coma. Paula passa a ser então um retrato auto-biográfico. Entretanto sua filha morre algum tempo depois.
Depoimento:
"Em torno de meu trabalho há rituais. No meu escritório sempre há flores. E nunca deixo de acender uma vela quando começo a escrever, porque sinto que assim chamo a inspiração. Como não uso relógio, uso a vela para marcar o tempo. Ela dura entre 6 e 7 horas - então é isso o que vou escrever durante o dia. Acabou a vela, acabou o trabalho."
Fonte: Playboy, agosto de 1999.
Obras:
1982 - "A casa dos espíritos"
1984 - "De Amor e de Sombra"
1987 - "Eva Luna"
1991 - "O plano infinito"
1995 – “Paula” e “Cartas a Paula”
1998 - "Afrodite"
1999 - "Filha da Fortuna"
2000 - "Retrato em Sépia"
2002 - "A Cidade das Feras"
2003 - "O Reino do Dragão de Ouro"
2004 – “A floresta dos Pigmeus"
2005 - "Zorro, começa a lenda"
2006 - "Inês da minha Alma"
2007 - "A Soma dos Dias"
Comentário:
Escolhi esta escritora para a leitura em sala de aula porque gosto muito de ler seus livros. Neles há um cenário interessante, os temas se misturam entre o político, o histórico e o místico. Suas personagens femininas são sempre figuras fortes e de alguma forma dominam a história, mesmo quando não são as protagonistas, a história gira ao seu redor. Achei muito interessante a autora acreditar que seus rituais para o início de mais um dia de trabalho lhe dão inspiração para escrever. Rituais, que também podemos chamar de rotinas, creio que todos nós temos e são importantes para nos sentirmos a vontade para a tarefa que se seguirá. Escrever é só mais uma tarefa, que necessita de planejamento, conhecimento e habilidade... e, agora sei que estes fatores podem ser desenvolvidos, mas necessitam de treino, como , se a intenção for fazer bem.
Referências:
UOL Educação, São Paulo. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u198.jhtm>. Acesso em: 14 abr. 2009.
BRITO, José Domingos de - Como escrevo? São Paulo: Novera (Coleção Mistérios da Criação Literária), 2006. p. 117
NOGUEIRA JR., Arnaldo. Releituras. Disponível em: <http://www.releituras.com/raqueldequeiroz_bio.asp>. Acesso em: 14 abr. 2009.
WIKIPEDIA. Pesquisa sobre Isabel Allende. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende)>. Acesso em: 14 abr. 2009.
domingo, 29 de março de 2009
Dois momentos de Raquel de Queiroz
Ao ler pela primeira vez dois textos sobre o ato de escrever achei que a autora estava se contradizendo, mas numa segunda leitura percebi, que ela apenas deixou de ser radical em sua afirmação de que a escrita é um dom e complementa que os escritores que conhece, como ela mesma, "padecem" para escrever, que esta tarefa requer muita dedicação.
Depois fiquei intrigada com a última frase do primeiro texto "Nosso Senhor parece que só distribui tais dotes com a mão esquerda...". Só o que me passava pela cabeça era "a mão esquerda é a mão do coração". Descobri que esta história vem lá dos romanos. Eles acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia (veia d'amore) que estava diretamente ligada ao coração... e isso nos leva a outra relação... as alianças de casamento.
Então pensei... realmente esse escritor a que ela se refere no primeiro texto é realmente iluminado, afinal Deus, ao distribuir os dons, entregou o da escrita com sua mão esquerda... diretamente de seu coração! Nossa, ainda bem que, três anos mais tarde, ela complementa seu pensamento sobre este tema... se não eu poderia parar agora de escrever!!!
Outro pensamento que tive foi sobre a pintura de Michelangelo na Capela Sistina. Deus estaria tocando Adão com a mão direta ou esquerda? Pois é, é a mão direita que toca Adão... aí pensei... então, qual seria o dom de Adão se Deus o tivesse tocado com a esquerda?
Uau !!!

REFERÊNCIAS:
MICHELANGELO. Criação de Adão - Capela Sistina. 1511. 1 Pintura, color., 280 cm x 570 cm. 839 Kb. Formato JPEG.
NOGUEIRA JR., Arnaldo. Releituras. Disponível em: < http://www.releituras.com/raqueldequeiroz_bio.asp >. Acesso em: 29 mar. 2009.
WIKIPEDIA. Pesquisa sobre aliança. Disponível em : < http://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_(anel)>. Acesso em: 29 mar. 2009.
O que acontecia no Brasil e no mundo entre 1942 e 1944
Aquarela do Brasil
FATOS HISTÓRICOS:
1942
- 7 de Janeiro – Segunda Guerra Mundial (1939-1945) Brasil rompe relações diplomáticas com os países do Eixo.
Fevereiro – Falecimento de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã, que viveu no Brasil entre 1934 e 1936.
- 22 de Maio – Primeiro combate direto entre brasileiros e alemães. Um B-25 Mitchell da Força Aérea Brasileira, encontra submarino nazista na tona. O submarino alemão ataca com metralhadoras e o avião brasileiro responde com bombas. Nenhum dano em ambas as partes.
- 31 de Agosto – governo brasileiro declara o estado de guerra para todo o Brasil.
- 25 de Outubro - Prisioneiros judeus são deportados da Noruega para Auschwitz.
Para mais informações clique aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/1942
1943
- 9 de Janeiro - o Brasil declara sua adesão à Organização das Nações Unidas e à Carta do Atlântico.
- 15 de Março - Getúlio Vargas aprova o envio de tropas brasileiras para combater na Europa. Começa a nascer a Força Expedicionária Brasileira.
- 23 de Outubro - torpedeado o navio Campos, do Lóide Brasileiro, ao sul do arquipélago de Alcatrazes, próximo à cidade de Santos, no estado de São Paulo. Morrem 10 tripulantes e 2 passageiros. Este foi o último dos 30 navios mercantes brasileiros torpedeados, com a perda de 570 vidas entre homens, mulheres e crianças.
- O filme Casablanca (1942) é indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator (Humphrey Bogart), melhor ator coadjuvante (Claude Rains), melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora - comédia / musical. Venceu na categoria de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro.
Para mais informações clique aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/1943
1944
- 4 de Agosto - Holocausto: Uma dica de uma informador holandês leva a Gestapo a procurar numa área selada num sótão em Amesterdã, onde estes encontram a diarista judia Anne Frank e a sua família.
- 5 de Agosto - Holocausto: Membros da resistência polaca liberam um campo de trabalhos forçados alemão em Varsóvia, libertando 348 prisioneiros judeus.
Para mais informações clique aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/1944
Referência:
WIKIPEDIA. Pesquisa sobre a década de 1940. Disponível em : < http://pt.wikipedia.org/wiki/1940 >. Acesso em: 29 mar. 2009.
DISNEY, Walt. Aquarela do Brasil. Califórnia, 1942. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=Py1XwF6k_rY>. Acesso em: 29 mar. 2009
Mário de Andrade
Cartas:Um capítulo à parte em sua produção literária sem fronteiras é constituído pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse, ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino, Augusto Meyer e outros. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma prosa saborosa de suas criações com palavras — um lirismo que, como ele disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada". Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas.
Missão de pesquisas folclóricas:
Em 1935, durante uma era de instabilidade do governo Vargas, organizou, juntamente com o escritor e arqueólogo Paulo Duarte, um Departamento de Cultura para a unificação da cidade de São Paulo (Departamento de Cultura e Recreação da Prefeitura Municipal de São Paulo), onde Andrade se tornou diretor. Em 1938 Mário de Andrade reuniu uma equipe com o objetivo de catalogar músicas do Norte e Nordeste brasileiros.
Tinha como objetivo declarado, de acordo com a ata da sua fundação, "conquistar e divulgar para todo país a cultura brasileira". O âmbito de aplicação do recém-criado Departamento de Cultura foi bastante amplo: a investigação cultural e demográfica, como construção de parques e recriações, além de importantes publicações culturais.
Exerceu seu cargo com a ambição que o caracterizava: ampliar seu trabalho sobre música e folclore popular, ao mesmo tempo tempo organizar exposições e conferências. As missões resultaram um vasto acervo registrados em vídeo, áudio, imagens, anotações musicais, dos lugares percorridos pela Missão de Pesquisas Folclóricas, o que pode ser considerado como um dos primeiros projetos multimédia da cultura brasileira. O material foi dividido de acordo com o caráter funcional das manifestações: músicas de dançar, cantar, trabalhar e rezar. Trouxe sua coleção fonográfica cultura para o Departamento, formando uma Discoteca Municipal, que era possivelmente as melhores e maiores reunidas no hemisfério.
Em um marco do Departamento de Cultura, Claude Lévi-Strauss, então professor visitante da Universidade de São Paulo, realizou pesquisas. Outro grande evento foi a Missão de Pesquisas Folclóricas, que 1938, visitou mais de trinta localidades em seis estados brasileiros em busca de material etnográfico, especialmente na música. A missão foi interrompida, no entanto, quando, em 1938, pouco depois de instaurado o Estado Novo (do qual era contrário), por Getúlio Vargas, Mário demitiu-se do departamento.
Mário de Andrade também foi um dos mentores e fundadores do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, junto com o advogado Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Limitações de ordem política e financeira impediram a realização desse projeto (que seria caracterizado por uma radical investida no inventário artístico e cultural de todo o país), restringindo as atribuições do instituto, fundado em 1937, à preservação de sítios e objetos históricos relacionados a fatos políticos históricos e ao legado religioso no país.
Mudou-se para o Rio de Janeiro para tomar posse de um novo posto na UFRJ, onde dirigiu o Congresso da Língua Nacional Cantada, um importante evento folclórico e musical. Em 1941 retornou para São Paulo e voltou ao antigo posto do Departamento de Cultura, apesar de não trabalhar com a mesma intensidade que antes.
Para maiores informações sobre a vida de Mário de Andrade, consulte os sites referenciados!
Referência:
NOGUEIRA JR., Arnaldo. Releituras. Disponível em: < http://www.releituras.com/marioandrade_bio.asp >. Acesso em: 29 mar. 2009.
WIKIPEDIA. Pesquisa sobre Mário de Andrade. Disponível em : < http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_de_andrade>. Acesso em: 29 mar. 2009.
Fernando Sabino
Fernando Tavares Sabino foi um escritor e jornalista brasileiro.(Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004)
"De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!"
"Encontro Marcado"
Para saber sobre a vida do autor consulte: http://www.releituras.com/fsabino_bio.asp
quarta-feira, 25 de março de 2009
Cartas a um jovem escritor e suas respostas - Fernando Sabino e Mário de Andrade
O livro que escolhi é uma coleção de cartas trocadas entre Fernando Sabino e Mário de Andrade, entre os anos 1942 e 1944. No início Mário de Andrade dá conselhos e dicas sobre o trabalho de um escritor, mas aos poucos eles se tornam grandes amigos. Um belo livro, que vai muito além das técnicas de escrita e leitura, fala sobre a vida, o mundo, sob a ótica destes dois escritores!Selecionei alguns trechos interessantes:
ESCRITA:
Mário de Andrade - carta de 25/jan/1942 - "Dica: Treinar"
"O caso da 'água mole em pedra dura'... Você irá escrevendo, se aperfeiçoando, progredindo aos poucos: um belo dia (si você agüentar o tranco) os outros percebem que existe um grande escritor." (p. 21)
Mário de Andrade - carta de 16/fev/1942 - "Reflexão sobre o processo de criação e aperfeiçoamento do texto"
"O momento da criação é um prazer sublime, e estou completamente em desacordo com os que o consideram um parto. Nem posso compreender mesmo essa assimilação da criação artística com o parto. Deriva certamente da semelhança objetiva, entre o filho e a obra-de-arte. O momento de criação é gostosíssimo, verdadeiramente aquela sublimidade de integração e de dadivosidade do ser, em que a gente fica na ejaculação sexual. É tão sublime mesmo, é tamanha a integração, que a gente não se pode ilhar num estado de consciência crítica e se analisar. O ser mais frágil do mundo, mas escravo, mais indefeso é o homem no momento da ejaculação: ele fica por completo inerme. Esse o momento da criação artística. O que sucede, é que esse momento é rapidíssimo (como a ejaculação), dura alguns segundos. E logo a gente principia o trabalho mais penoso e principalmente muito mais inquieto de artefazer, corrigir, criticar, julgar, intencionalizar, dirigir a obra-de-arte, polir, etc., etc., sacrificar coisas que gosta em proveito de uma significação funcional da obra-de-arte, que é mais importante que a gente, o diabo. Nisso é que vem muito sofrimento, muita fadiga, muita indecisão. Mas é estranho como nesse trabalho longo, você constantemente se vê atirado de novo à volúpia da criação, é incrível como você “inventa”. Parece que você está gélido, dirigindo friamente o trabalho de aperfeiçoamento e no entanto, até no desistir voluntariamente de uma coisa que você gosta, em proveito de uma finalidade maior, que seja mesmo apenas o equilíbrio formal da obra-de-arte, mesmo nesse sacrifício, você retorna a um estado ativo de poesia, você pratica uma ejaculação, você está em plena volúpia criadora. É preciso ser mais humilde, ainda aqui, mais operário e não mistificar por demais essa história de arte ser filha da dor. É dolorido, é penoso, é fatigante, é sobretudo inquieto, inquietante e insatisfatório. Mas é gostoso também, é másculo, é sobretudo, de uma grande dignidade." (p. 37)
Mário de Andrade - carta de 23/jan/1943 - "Sobre a primeira escrita de um de seus trabalhos"
"Este mês já escrevi dois contos mas estão apenas em primeira redação, como sempre, muito fracos. Talvez possa tirar alguma coisa deles, e por certo o milhor, terá que ser totalmente modificado." (p. 98)
LEITURA:
Mário de Andrade - carta de 21/mar/1942 - "Indicações de leitura"
"[...] você já leu Catherine Mansfield? já leu Rilke? Como atualização do seu ser artístico você precisava ler bastante esses dois. E também Selma Lagerloef, que não me lembro como se escreve. Que bom ter a sua idade pra ler...
Você precisa de uma cultura literária geral, que não deve ser feita duma vez só, mas dentro de um programa que pode durar ponhamos seis anos. Há certas coisas que a gente carece conhecer e gostar. Gostar de, faz parte da dignidade humana do indivíduo. Você precisa ler Camões, nos Lusíadas e nos Sonetos pelo menos. [...] Dante na Divina Comédia inteira e na Vita Nuova. E Cervantes, o Goethe do Fausto e dos romances (si souber alemão também as tragédias e os lieder), está claro todo o Shakespeare, e assim por diante. [...] E a Bíblia, por favor, não de esqueça! [...] Você precisa ler clássicos portugueses. De preferência os antigos: uns poucos, “A Vida do Arcebispo” acho indispensável, Fernão Mendes Pinto e as “Décadas”. Um pouco também (um pouco si) de Vieira. [...] Ler os brasileiros... [...] Gregório de Matos, Cruz e Souza. [...] você precisa muito de ler Machado de Assis, mas ler com reler, roubando ele, plagiando ele, não no estilo nem no espírito mas na delicadeza de sentimento. Machado de Assis não deve ser pra você um companheiro de vida, mas apenas um tesouro onde você vai roubar. Roube dele tudo quanto possa ser útil a você, jogando o resto fora. Mas sempre não se esquecendo que você pode roubar errado. O problema é delicadíssimo." (p. 51-52)
VIDA DE ARTISTA:
Mário de Andrade - carta de 25/jan/1942 - "Ser artista"
"Você se analise, pense seriamente sobre você, sobre si você sente mesmo em si a fatalidade pesada de ser artista, sobre si tem coragem e força para agüentar o tranco duro que vai ser o seu. É preciso pra você ter muita saúde mental pra não se amolar com os outros, com as incompreensões alheias, com as humilhações. Si você tem orgulho suficiente pra mandar o mundo à puta-que-o-pariu, em benefício desse mesmo mundo imbecil. Si você tem coragem pra tanto, sem falsa humildade, então vamos principiar." (p.23)
Fernando Sabino - carta de 11/dez/1944 - "Vida de artista"
"E eu não quero mais ser um artista, Mário. Quero, como escritor, apenas ser fiel ao que existe de unicamente verdadeiro em mim. [...] É escrevendo que consigo dizer as coisas, mas não como quem faz um bolo, seguindo fielmente a receita: prefiro comer o bolo que os outros fazem. [...] se a arte é fazer justamente aquilo que a gente não é, então prefiro desistir de vir a ser artista." (p. 203-205)
MEU COMENTÁRIO
Acredito realmente que o treino seja imprescindível para se aprimorar a escrita, assim como para qualquer coisa que se faça. A prática contínua exercita a mente e a cada dia pode-se desenvolver melhor a tarefa desejada. Para um bom escritor, também é preciso domínio da língua, repertório e criatividade... então é necessário ler e observar o mundo a seu redor. Por isso, concordo com os "conselhos" de Mário de Andrade a Fernando Sabino.
Referência:
SABINO, Fernando. Cartas a um jovem escritor e suas respostas. Rio de Janeiro: Record, 2003.
domingo, 15 de março de 2009
Primeira ideia sobre "Catar feijão" - João Cabral de Melo Neto
Ao reler o texto em casa, calmamente, várias vezes e em voz alta, buscando o significado tanto do texto quanto das palavras desconhecidas e não a percepção sobre o processo de leitura, tive alguma ideia sobre o que o autor quer nos dizer com seu texto.No primeiro parágrafo ele nos conta uma forma de catar feijão, jogando os grãos na água para que boiem os que devem ser descartados e compara esta ideia a escrita, ao dizer "toda palavra boiará no papel". Na segunda parte, mostra o risco deste processo de escolha, visto que dentre os feijões poderia haver uma pedra, sendo assim esta não boiaria e portanto não seria separada. Entretanto, ao comparar este fato ao "catar palavras" isto não se torna um problema, já que as pedras são para ele obstáculos que estimulam o texto ao quebrar o ritmo constante, que até então era como um rio tranquilo. Esta ideia está presente na frase "obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco".
Referência:
WERNER, João. Menina escolhendo feijões 2004. 1 Pintura, color., 50x60 cm. 27 Kb. Formato JPEG. Disponível em <http://www.joaowerner.com.br/images/urbanos/menina-escolhendo-feijao.htm>
sábado, 14 de março de 2009
Como escrevo: Lygia Fagundes Telles e Ana Maria Machado (11/03/09)
O processo de escrita de Lygia Fagundes Telles é composto de duas fases. A primeira se dá quando a autora escreve o texto todo de uma só vez, ela diz que as ideias vem encachoeiradamente. A última etapa é a fase da crítica, quando retoma o texto, avalia e reescreve o que for necessário. Este trabalho pode parecer algo simples, entretanto é uma tarefa árdua e requer muita dedicação.É interessante quando a autora diz que não tem rotina, mas se mostra sempre disponível para o trabalho e o compara a um ato de amor, já que, na sua opinião, ambos não podem ser adiados.
Já Ana Maria Machado descreve de uma forma metafórica, sua relação com a escrita. Para ela, escrever seria como descer uma onda: não se pode correr nem comandá-la, é preciso esperar o momento certo, além disso, não há garantia de chegada, nem o momento, nem o local. O mar é imprevisível!
Estes depoimentos me levam a pensar que as duas estão sempre disponíveis para escrever, não importa o momento em que o tema ou a história surjam, elas se entregam a escrita.
Como estas ideias surgem, de onde partem? Ah, isto elas não nos contaram!
Calvin e Haroldo: Escrever... a arte de encher linguiça!
Calvin & Hobbes (Calvin e Haroldo no Brasil) é uma série de história em quadrinhos criada, escrita e ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson e publicada em mais de 2000 jornais do mundo inteiro entre 1995 e 31 de dezembro de 1995, tendo ganho em 1996 e 1988 o Reuben Award, da Associação Nacional de Cartunistas dos EUA. Calvin é um garoto de seis anos de idade cheio de personalidade, que tem como companheiro Hobbes (Haroldo), um tigre sábio e sardónico, que para ele está tão vivo como um amigo verdadeiro, mas para os outros não é mais que um tigre de pelúcia. De acordo com algumas visões, as fantasias mirabolantes de Calvin constituem frequentemente uma fuga à cruel realidade do mundo moderno para a personagem e uma oportunidade de explorar a natureza humana para Bill Watterson. (WIKIPEDIA, 2009)Estes são meus personagens de história em quadrinhos preferidos. Como sei que o Calvin é um garotinho "terrível" logo imaginei que o tema escrita não poderia ser abordado de forma corriqueira, simples e achei que seria interessante a comparação entre sua ideia de escrita e a dos autores que estamos discutindo nas aulas de quarta-feira.
Eis a história:
Para Calvin, escrever é somente enrolar, embromar, "encher linguiça". O objetivo é tornar o texto confuso para que o leitor não perceba a real intenção da mensagem, que é escrever qualquer coisa, apenas para se livrar da tarefa. Ele acredita que as palavras não usuais utilizadas pelo escritor causam a impressão de cultura, inteligência e o fato do leitor não entender realmente a mensagem demonstra sua esperteza, por isso comemora, imaginando que um dia estará na Academia.Creio que isto aconteça de verdade, mas não com os escritores que estamos estudando, afinal, escrever é um modo de vida para eles e o leitor é um personagem importante nesta relação. Além disso, enquanto uns criam suas histórias utilizando a tão polêmica inspiração, ou descrevem seu cotidiano, há aqueles que não tem nenhum processo de escrita, a não ser a embromação.
Não há como impedir. Cada um escreve da forma que lhe convém. O leitor é quem escolhe qual o autor e tipo de escrita que deseja ler.
Referência:
WIKIPEDIA Pesquisa sobre Calvin e Haroldo. Disponível em : <http://pt.wikipedia.org/wiki/Calvin_e_haroldo>. Acesso em: 14 mar. 2009, 18:00:00.
Observação do processo de leitura - Texto "Catar feijão" de João Cabral de Melo Neto
- Li várias vezes a mesma frase para tentar entender o conteúdo
- Troquei de posição na cadeira (melhora da posição = melhor entendimento?)
- Tive vontade de ler em voz alta, quem sabe o entenderia melhor... faria desta forma na minha casa!
- Dificuldade com os trechos e palavras: "água congelada, por chumbo seu verbo", "leitura fluviante","flutual", "açula".
Ainda não me sinto confortável com o texto, mesmo depois da leitura em sala de aula. Vou lê-lo novamente, em casa, num ambiente tranquilo, com o dicionário por perto e quem sabe o entenda !
domingo, 8 de março de 2009
Percepões a partir da aula de 4 de março

Para mim, quando as palavras são muito difíceis de serem ditas, uso o recurso da escrita. O papel faz com que eu me sinta mais confortável para me expressar livremente, é como se ele me desse asas. Ele aceita, sem contestações, as palavras que tenho a dizer, sem interrupções, sem críticas, sem preconceitos. Para este texto, a primeira escrita é muito mais emocional do que racional. Entretanto, ao finalizá-lo inicia-se a fase da crítica. É quanto à razão toma conta do texto. Neste instante penso em quem o lerá e como estas palavras serão entendidas... Muitas coisas são excluídas por causa da má interpretação que podem sofrer, outras tantas são alteradas para uma melhor compreensão. Esta é uma das formas que utilizo a escrita, mas não a única. Talvez seja a mais conflitante.
Achei interessante como Jorge Amado descreveu seu processo de escrita, o fato de ele imaginar os personagens, baseados nele mesmo ou em pessoas conhecidas e, a partir deles contar suas histórias. Interessante imaginar que ele não se dava conta de que o enredo já estava em sua cabeça, talvez não totalmente desenvolvido, mas que ao criar todos os personagens, que se ajustavam uns aos outros, isto iria desenrolar a história que ele estava prestes a contar.
Drummond acreditava na inspiração.
Não percebo diferença nos dois estilos. Para mim são formas diferentes de contar o mesmo fato. Isto porque algo os moveu a escreverem sobre um determinado tema e imagino que este algo seja a inspiração, que segundo a simples definição contida no dicionário significa “imaginação criadora; entusiasmo artístico e criador; veia poética”. Algo visto, ouvido, sentido, enfim percebido por eles, mas não sabemos o que, desencadeou uma sequência de pensamentos, que os moveu a escrever sobre um determinado assunto.
Ainda é cedo para definir o que move o escritor. Esta é só a primeira impressão.

